Neste fim de semana, organizações de luta pela paz de diversos países participaram na conferência do Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, na Sérvia, na ocasião dos 15 anos desde a agressão da Otan contra a antiga Iugoslávia.

A presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, discursou sobre a importância do evento na promoção da luta dos povos contra o imperialismo e na construção de um mundo justo, livre da dominação.



Por Moara Crivelente, de Belgrado para o Vermelho

Conferência internacional "Paz Global contra Intervencionismo e Imperialismo Global", do Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, sob os auspícios do Conselho Mundial da Paz, presidido por Socorro Gomes, em Belgrado, Sérvia, em 22 e 23 de Março.

A conferência, “Paz Global contra o intervencionismo e o imperialismo global”, realizada neste sábado (22) e domingo (23), foi organizada pelo Fórum de Belgrado, presidido por Zivadin Jovanovic, ex-ministro das Relações Exteriores da antiga República da Iugoslávia. A conferência aconteceu sob os auspícios do Conselho Mundial da Paz (CMP).

O programa foi composto por sessões de debates abrangentes sobre o estado atual da luta pela paz no mundo face ao avanço imperialista, representado, sobretudo, pela aliança militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em seu avanço belicoso em direção ao Leste europeu, mas também, para estabelecer pontos “estratégicos” de atuação agressiva em todo o mundo.

Aproximadamente 500 representantes de organizações de cerca de 50 países participaram dos trabalhos da conferência internacional, cujo ponto central foi o aniversário da campanha de 78 dias de bombardeamento da ex-Iugoslávia, mas também abordou a luta contra o ressurgimento do fascismo e as tentativas imperialistas de golpes como na Venezuela e na Síria, além do efetivo golpe na Ucrânia.

Reafirmar a memória histórica contra o imperialismo
A agressão contra a antiga Iugoslávia resultou em cerca de quatro mil mortos, em grande parte civis, e em uma enorme destruição, sobretudo de infraestrutura civil, com consequências ainda refletidas atualmente, por exemplo, devido ao uso de munições com urânio empobrecido, o que causou danos permanentes ao ambiente.

A denúncia deste crime e a reafirmação da história, contra a ofensiva da propaganda ocidental, para os participantes, são pontos centrais na luta anti-imperialista, contra as tentativas de criação de pretextos para a institucionalização de uma política internacional intervencionista, baseada na dominação das potências militaristas sobre os povos de todo o mundo.

Socorro Gomes, presidenta do CMP, assim como outros participantes, reafirmaram como fundamental a unidade no combate a um sistema internacional de agressão, imperialismo e de subjugação de governos e Estados de acordo com a agenda política das potências. Neste sentido, os princípios de soberania, integridade territorial e direito à autodeterminação são pontos centrais na afirmação dos movimentos de luta pela paz em todo o mundo.

Além do rechaço a ações de agressão criminosa como a perpetrada pelos membros da Otan, em 1999, contra os sérvios, os participantes na conferência também enfatizaram a ação imperialista na opressão dos povos, reiterando a solidariedade à luta do povo venezuelano, o palestino, da Crimeia, da América Latina em geral e dos povos africanos que também enfrentam a ocupação e as investidas neocoloniais, como a avançada pela França no Mali.

Neste contexto, os participantes enfatizam o rechaço à militarização da União Europeia – em um momento em que os trabalhadores europeus veem-se submetidos a políticas de arrocho agressivas, impostas pelos credores internacionais e acatadas pelos governos subservientes – e à expansão doutrinária e institucional da Otan, enquanto os sérvios afirmaram a recusa à integração do seu país à máquina de guerra, responsável pelo belicismo no mundo.