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Nos passados dias 6 e 7 de Julho o CPPC participou em Bruxelas num colóquio promovido pelo movimento da paz Belga INTAL e na conferência do Conselho Mundial da Paz (CMP) “Sim à Paz! Não à NATO!”, realizadas no âmbito das acções contra a NATO e a sua cimeira, que decorre hoje e amanhã (11 e 12 de Julho) naquela cidade Belga.

No sábado, 7 de Julho, o CPPC participou, com a INTAL. na manifestação promovida por alargado conjunto de organizações belgas, com uma faixa da campanha “Sim à Paz! Não à NATO!”.

Leia aqui a intervenção do CPPC na conferência do CMP:

CPPC
Bruxelas, 7 de Julho de 2018

Caros amigos,

Em nome do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), gostaria de começar por saudar calorosamente todos os activistas da paz e organizações aqui presentes. Faço-o em particular em nome dos activistas que em Portugal estão neste momento envolvidos em iniciativas anti-NATO, que o CPPC, lado a lado com outras organizações promove em Portugal.

Dá-nos alento saber que ao mesmo tempo que aqui lutamos pela paz e contra a NATO, temos ao nosso lado aqueles que, em cada um dos nossos países, estão também em iniciativas de luta pelos mesmos objectivos.

As iniciativas que o CPPC tem promovido e aquelas em que tem participado em Portugal, resultam de uma vez mais este ano dezenas de organizações terem correspondido ao apelo do CPPC para manter viva e sempre renovada a campanha “Sim à Paz! Não à NATO!” no nosso país – como sabem, nascida aquando de importantes mobilizações em Portugal contra a Cimeira da NATO em Lisboa, em 2010.

Uma vez mais, este ano, a campanha distribuiu milhares de folhetos e outros documentos por todo o país, divulgando entre o público a necessidade de lutar pela paz e o desarmamento, contra o militarismo e a guerra, e, consequentemente, contra a NATO.

Com esta campanha denunciamos a NATO e os objectivos belicistas da sua cimeira de Bruxelas, denunciamos a NATO como instrumento ao serviço - não sem querelas internas - dos EUA e das grandes potências da União Europeia (UE), responsável pela corrida armamentista, promove tensões e conflictos , intensifica o intervencionismo militar, leva a cabo guerras de agressão contra Estados e povos que defendem a sua soberania e que não se submetem ao seu domínio. A evolução da situação internacional mostra claramente que a NATO está ao serviço dos planos dos EUA de domínio hegemónico do mundo.

A NATO representa o maior e mais sério risco para a paz mundial. Como todos sabemos – mas confrontados com a propaganda militarista nos vemos obrigados a continuar a denunciar – a NATO lançou, sob variados pretextos, guerras de agressão contra a Jugoslávia, o Afeganistão e a Líbia, com o seu imenso legado de morte, sofrimento e destruição. A NATO colabora com o agressivo regime sionista de Israel, sendo cúmplice da brutal opressão do povo palestino, e das agressões contra outros povos do Médio Oriente – como o iraquiano, o sírio ou o iemenita. A NATO apoia o regime fascizante da Ucrânia e a sua criminosa política de opressão e guerra. A NATO e as suas grandes potências desrespeitam e procuram destruir o direito internacional alcançado após a Segunda Guerra Mundial. Os países membro da NATO procuram reforçar a sua ameaça directa contra países que o imperialismo pretende subjugar – nomeadamente a China e a Federação Russa.

Ao nível da União Europeia a chamada “Cooperação Estruturada Permanente” faz parte de um processo de militarização e reforço da indústria militar e da corrida aos armamentos, em coordenação e complementaridade com a NATO, aprofundando a UE enquanto pilar europeu deste bloco político-militar. Esta linha será ainda mais fortalecida se diversos planos avançarem, como a criação, na UE de corredores de livre circulação de forças militares da NATO, incluindo, entre outras, as forças armadas dos EUA.

Ao mesmo tempo que na maioria dos países da NATO os direitos e rendimentos dos trabalhadores e povos são ameaçados e colocados em questão, parece nunca faltarem recursos para a corrida armamentista e as guerras.

Caros amigos,

Exigimos o fim da chantagem, desestabilização e guerras de agressão imperialistas contra Estados e povos soberanos, promovidas pela NATO e seus membros. Guerras responsáveis por mortes, sofrimento, destruição e pela maior vaga de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.

Dizemos não ao aumento de gastos militares da NATO e da UE, cujos países membro são já responsáveis por mais de metade do total das despesas militares mundiais!

Exigimos o encerramento das bases militares estrangeiras, incluindo o sistema anti-míssil THAAD dos EUA/NATO, com que procuram colocar em causa o equilíbrio internacional de poder!

Exigimos a abolição das armas nucleares! Como proposto pelo Tratado para a Proibição de Armas Nucleares na Nações Unidas à precisamente um anos, a 7 de Julho.

Exigimos o fim da corrida armamentista e o desarmamento geral e controlado!

Exigimos a dissolução da NATO!

Recusamos a contribuição de Portugal para o aumento de despesas da NATO e da UE e suas máquinas de guerra, exigindo que tropas portuguesas não participem nas missões de agressão militar da NATO e da UE.

Exigimos que Portugal não tome o lado da militarização das relações internacionais e que não subordine as políticas estrangeira e de defesa nacional a lógicas que nada têm a ver com os interesses e aspirações do povo português e dos restantes povos do mundo!

Exigimos que Portugal determine as políticas externa e de defesa nacional, e o papel das suas forças armadas de acordo com os princípios constitucionais portugueses!

O compromisso das autoridades portuguesas tem de ser com a paz, com o respeito pela soberania e a independência nacionais, com a igualdade de direitos e a resolução pacífica dos conflitos, no respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas.

Portugal deve estabelecer políticas de efectiva cooperação, favorecendo a paz e o progresso social, de acordo com os valores de Abril inscritos na Constituição Portuguesa.

Caros amigos,

Porque consideramos da maior importância a luta pela paz e contra a NATO, valorizamos o apelo da reunião das organizações membro do CMP da Europa – pelo 3º ano consecutivo – a todas as organizações e activistas da Europa que defendem a causa da paz, para que promovam acções contra a NATO e a sua cimeira de Bruxelas.

Consideramos de grande importância continuar e reforçar a campanha da CMP “Sim à Paz! Não à NATO!”, para mobilizar pela dissolução deste bloco político-militar e a favor da luta de cada povo, em cada Estado membro, pela retirada do seu país desta organização.

Na Europa realizámos, recentemente, uma participada e frutuosa reunião regional, acolhida, fraternalmente, pela Assembleia Britânica da Paz, onde foram decididas várias acções que dizem particular respeito à nossa região, como a continuação da campanha do CMP “Sim à Paz! Não à NATO!”, mobilizando para as acções da INTAL e do CMP que nos reuniram em Bruxelas nestes dois dias.

A luta pela paz está no âmago do movimento da paz, nomeadamente dos objectivos e acções do CMP. Uma luta premente que não pode apenas denunciar as guerras de agressão imperialistas e exigir o seu fim depois da sua conflagração, mas que é urgente que faça com que forças e esforços convirjam para evitar estas agressões sempre que possível. Uma luta que, naturalmente, é solidária com o direito dos povos a resistirem à agressão e à opressão.

A guerra não é inevitável! As forças da paz, os trabalhadores e os povos têm uma palavra a dizer!

O povo português expressou, em importantes momentos, a sua clara opção pela Paz e contra a participação de Portugal nas agressões militares da NATO contra outros países e povos.

Acreditamos que é possível construir um mundo mais justo, mais solidário, de progresso, de paz e cooperação, no respeito pela independência e soberania dos Estados e dos povos.

Podem estar seguros de que o CPPC continuará a luta pela paz e a cooperação entre todos os povos. Contem connosco!

Sim à Paz! Não à NATO!