Outras Notícias

  • Faleceu Carlos do Carmo 04-01-2021

    Ao tomar conhecimento do falecimento de Carlos do Carmo, personalidade ímpar da cultura portuguesa, da música, um dos maiores intérpretes do fado, democrata e...

  • CPPC homenageia Rui Namorado Rosa e 70 anos de luta pela paz 17-03-2019

    O CPPC homenageou Rui Namorado Rosa, membro da sua Presidência e que durante anos assumiu as funções de presidente e vice-presidente da direcção nacional. A...

  • Faleceu Armando Caldas 13-03-2019

    Hoje, 13 de Março de 2019, o encenador e actor, membro da Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), Armando Caldas, deixou-nos. Com um...

  • Homenagem a Rui Namorado Rosa 11-03-2019

    O Conselho Português para a Paz e Cooperação tem o privilégio de contar com a participação, nos seus órgãos sociais, de Rui Namorado Rosa, que foi seu...

  • Falecimento de Vítor Silva 08-08-2018

    A Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) lamenta informar do falecimento de Vítor Silva, ocorrido na madrugada de hoje. Membro do...

cmp 70 anos diante das ameacas a luta pela paz se fortalece na unidade 1 20190430 1394778533

Divulgamos artigo de Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz (CMP) a propósito dos 70 anos do CMP.

CMP 70 anos: Diante das ameaças, a luta pela paz se fortalece na unidade

Em 21 de abril, o Conselho Mundial da Paz celebra seus 70 anos de existência. Sempre lutou contra a guerra, denunciou o sistema imperialista e cultivou a solidariedade entre os povos e a unidade com as forças democráticas e amantes da paz. O CMP, as organizações que dele fazem parte e entidades amigas priorizam o fortalecimento da unidade e a amplitude de sua ação para enfrentar as crescentes ameaças, na luta pela paz.

 

Por Socorro Gomes*

Ao cumprir seu septuagésimo aniversário, o CMP realiza ações não só de celebração. No bom combate, honra sua trajetória, desenvolvendo as ações prioritárias da sua agenda de lutas contra as guerras, as agressões, a opressão, o colonialismo e a militarização do planeta.

A fundação do Conselho Mundial da Paz tem suas origens nas conferências realizadas por intelectuais e trabalhadores em 1948, 1949 e 1950. Em agosto de 1948, na cidade polonesa devastada de Breslávia, homens e mulheres amantes da paz reuniram-se no Congresso Mundial de Intelectuais e emitiram um firme apelo a toda a humanidade. A resposta foi a reunião de delegados vindos de 72 países para o Primeiro Congresso Mundial de Defensores da Paz, realizado simultaneamente em Paris e Praga, em abril de 1949. Em seu discurso de abertura, o primeiro presidente da entidade, Frédéric Joliot-Currie, o renomado e laureado cientista, disse: “A Paz é daqui em diante uma questão de todos os povos. Nenhum homem sozinho, nenhum país isolado, mas só todos, juntos, podem defender a paz e deter a guerra.”

Assim, estes bravos homens e mulheres, muitos já engajados na resistência fascista, organizaram um amplo e ativo movimento internacional para defender um novo mundo após a catástrofe da Segunda Guerra Mundial. Este é o compromisso que reforçamos hoje, diante das graves ameaças da nova conjuntura.
Frédéric Joliot-Currie Assembleia do CMP 1955
Conferência Internacional de Solidariedade com o Movimento de Liberação Nacional e as Massas da Região do Golfo contra o imperialismo - 1980 Chipre
FRELIMO - Moçambique
CMP reune-se com comitê da ONU contra o Apartheid 1971 1
Reunião do CMP Região Oriente Médio - Cairo 1969
Isabelle Blüm 1965
Presidente do CMP e Associação Congolesa de Amizade entre os Povos - 28 de junho de 1974
Karen Talbot representa o CMP no Comitê dos 24 da ONU pela descolonização - 1978

O CMP sempre esteve ao lado dos povos e se mobilizou junto a entidades amigas, como a Federação Mundial da Juventude Democrática, a Federação Democrática Internacional de Mulheres e a Federação Sindical Mundial, entre outras, ampliando a luta pela paz, a emancipação dos povos e a amizade em prol do progresso social. Deste objetivo primordial depende a resistência anti-imperialista, a defesa da democracia, da independência e autodeterminação dos povos e pela vigência de instituições capazes de construir uma nova relação entre os povos.

Não por casualidade, as políticas imperialistas acarretam a violação sistemática dos princípios da Carta das Nações Unidas adotada em 1945 – como a não ingerência nos assuntos internos e a igualdade entre as nações, fundamentos para a construção da paz mundial.

Desde cedo o imperialismo estadunidense é o principal antagonista desses princípios. A seguir aos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, os EUA lideraram a criação da maior máquina de guerra imperialista do planeta, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949; lançaram-se em guerra na Península Coreana em 1950-1953; engendraram cruentos golpes militares para instaurar regimes subservientes na América Latina desde os anos 1950 até hoje, embora nos dias atuais o façam com novas táticas; e conduziram a horrenda guerra contra o Vietnã, cometendo crimes de lesa-humanidade pelos quais seguem impunes, como o uso do Agente Laranja contra a população, com consequências catastróficas e duradouras.
What is the World Peace Council1
What is the World Peace Council

O CMP se opôs firmente a cada uma dessas guerras e golpes patrocinados pelos EUA e seus aliados e apoiou, sem vacilar, os povos em luta por libertação nacional contra o colonialismo e contra as ocupações na África, América Latina, Ásia e Oriente Médio. Recentemente, opôs-se às guerras dos EUA e da OTAN contra a ex-Iugoslávia, o Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, que continuam enfrentando as consequências da agressão imperialista.

Em uma das frentes mais importantes de ação, o CMP combate as manobras desestabilizadoras do imperialismo estadunidense em aliança com forças golpistas e reacionárias na América Latina e Caribe. O desprezo destas forças pela democracia e o diálogo é evidente na agressividade da sua guerra midiática, política e econômica contra países soberanos e suas instituições nacionais, com o fim de impor governos subalternos a seus vis desígnios.

CMP e FMJD Venezuela 2019Por isso, neste mês de abril estivemos na República Bolivariana da Venezuela, em missão de solidaridade com seu povo, em conjunto com nossa coirmã, a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Naquele país constatamos o vigor da resistência do povo e da sua liderança legítima, o governo do presidente Nicolás Maduro, reeleito e referendado nas urnas e nas ruas. O CMP rechaça a interferência externa, as ameaças de agressão militar e o reconhecimento ilegal de um golpista autoproclamado presidente, sem qualquer respaldo popular. O CMP reafirmou seu apoio ao povo venezuelano em defesa de seu direito de viver em paz.

sdrIgualmente com a FMJD, em outubro de 2018, visitamos a Síria para manifestar apoio a este heroico povo, que desde 2011 enfrenta os bandos armados e terroristas de que as potências encabeçadas pelos EUA e seus aliados se servem para destruir a nação Síria. Já são nove anos de uma guerra sangrenta que provocou grande destruição, mas não abateu a vontade popular de defender a nação.

Em apoio resoluto aos povos que resistem e lutam, também nos mobilizamos em solidariedade com os povos da Palestina e do Saara Ocidental pelo fim da ocupação militar e a colonização dos seus territórios, pela libertação nacional e a paz; com Cuba revolucionária e humanista, que segue enfrentando o criminoso bloqueio estadunidense há seis décadas e assim mesmo é um exemplo de solidariedade e amizade; com o povo coreano pela reaproximação entre a República Popular Democrática da Coreia e a República da Coreia, pela paz, a desnuclearização, a estabilidade e o fim das ameaças militares também encabeçadas pelos EUA; com o povo de Porto Rico pela independência face aos Estados Unidos; com o povo argentino pela recuperação das Malvinas usurpadas pelo Reino Unido; com o povo iemenita vítima da catástrofe causada pela guerra de agressão liderada pelos sauditas, respaldados pelas potências imperialistas; com o povo iraniano frente à reiterada ameaça de guerra dos EUA e Israel, sob o pretexto do seu programa nuclear, já objeto do acordo diplomático que o governo Trump denunciou unilateralmente, entre outros.

Temos combatido e rechaçado a militarização acelerada do planeta, a corrida armamentista que ameaça a própria existência da humanidade.

CMP contra OTAN - Bruxelas 2018Nesse quadro, reforçamos e ampliamos iniciativas pela abolição das armas nucleares, sempre inspirados no exemplo do Apelo de Estocolmo, documento inaugural do CMP, lançado em 1950 e assinado por centenas de milhões de pessoas; pela dissolução da OTAN; e a campanha internacional pela abolição das bases militares estrangeiras, com ações como o Seminário Internacional já em sua sexta edição, que se realiza em 4 e 5 de maio em Guantânamo, de onde lançamos nossa veemente declaração de oposição frontal à odiosa e permanente violação da soberania da altiva nação caribenha; e a campanha global à qual aderimos, cuja primeira conferência mundial se realizou em Dublin em 2018.

Nossos desafios são imensos. Enfrentamos forças obscurantistas que buscam impor seu ditame aos povos, com o objetivo de garantir o saque dos seus recursos e o controle das rotas estratégicas, respaldando regimes servis ou promovendo a desestabilização e os golpes para instaurar forças submissas nos países onde vigoram governos patrióticos e populares. Onde há resistência, como vemos na Síria e na Venezuela, a tática do imperialismo consiste no cerco militar, econômico e político, nas ameaças e agressões, das quais a maior consequência é o sofrimento dos povos.
Poster do Comitê Coreano Preparatório do 13 Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes 1988
Poster da OSPAAAL - Venezuela

As forças da paz unem-se diante da gravidade da encruzilhada histórica em que vive a humanidade. Resistimos às guerras e às agressões e ao retrocesso civilizacional que se anuncia com a ascensão de forças antidemocráticas e obscurantistas que agridem nações e povos, pondo em risco o futuro da humanidade, enquanto as potências aglutinadas na OTAN, com os Estados Unidos à frente, declaram guerra a todo e qualquer governo que resista aos seus desmandos, sob os mais espúrios pretextos.

Os povos erguem a voz que ressoa em todo o mundo, a voz da luta pela libertação e a paz. Amplificada pela unidade entre todas as forças que se opõem à guerra, em solidariedade e fraternidade, nossa luta será capaz de deter a marcha catastrófica do imperialismo para derrotá-lo e finalmente construir um mundo de amizade e respeito entre as nações.

Viva a solidariedade entre os povos!

Por um mundo de Paz!

Viva o Conselho Mundial da Paz!

*Presidenta do Conselho Mundial da Paz