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sao necessarios recursos para combater a pandemia nao a realizacao dos exercicios militares da nato 1 20200326 1694036655

A NATO anunciou para este ano a realização na Europa, incluindo em Portugal, de um dos maiores exercícios militares dos últimos 25 anos, a ter lugar de forma faseada e em diversos países deste bloco político-militar de cariz agressivo.

Devido à pandemia da COVID-19, a NATO decidiu manter a sua realização, reduzindo a dimensão e adiando alguns dos exercícios.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação considera que a insistência da NATO na realização destes exercícios reveste-se de uma tão maior gravidade, quando em diversos países da Europa a população está a sofrer os efeitos da crise pandémica, seja no plano da saúde, seja no plano económico e social, e se impõe a mobilização de recursos para impedir o seu alastramento e apoiar as pessoas afetadas e os países em maior dificuldade.

 

É inaceitável que o secretário-geral da NATO venha insistir em que, mesmo perante as dificuldades criadas pela pandemia, os Estados têm de manter o reforço das despesas militares, atingindo pelo menos 2% do produto interno bruto até 2024.

Trata-se de uma posição que revela bem o carácter e os princípios que norteiam a NATO, que coloca o aumento das despesas militares, o militarismo e o intervencionismo acima dos direitos humanos, como o direito à saúde, e ao bem-estar das populações.

A pandemia da COVID-19 vem comprovar a urgente necessidade do estabelecimento de uma ordem internacional de paz e cooperação que assegure a necessária resposta coletiva e solidária a este e a outros problemas que atingem a humanidade.

O CPPC defende que os vastos recursos consumidos pelos astronómicos orçamentos de guerra da NATO devem de ser canalizados para assegurar o desenvolvimento e o progresso social, para assegurar os direitos à saúde, à educação, à segurança social, à habitação, ao emprego, a uma vida digna a todos os seres humanos.

Recordando que a Constituição da República Portuguesa estipula a «dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança coletiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos», o CPPC repudia a realização em território nacional de exercícios desta organização belicista, como os previstos para Beja, agora adiados para Julho.

O CPPC considera urgente a dissolução da NATO, que é responsável pelo aumento da tensão, de conflitos e guerras no mundo.

Os exercícios militares desta organização belicista não podem deixar de merecer um expressivo repúdio da parte daqueles que anseiam por um mundo mais justo.

Sim à Paz! Não à NATO!

Direção Nacional do CPPC