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O CPPC comemora no dia 24 de Abril os 40 anos do seu registo formal. Essa data, não constituindo o surgimento do CPPC – que se verificou durante o regime fascista –, representa a consagração da legalidade conquistada com a Revolução de Abril: antes, lutar pela paz, o desarmamento e a dissolução da NATO e expressar solidariedade aos povos vítimas da guerra, da opressão e da ingerência implicava o risco da prisão e da tortura - como aconteceu em muitos casos.

Os Estatutos do CPPC, registados nessa ocasião, continham aquelas que eram causas de sempre do movimento da paz e que continuam hoje a nortear a sua acção: a eliminação de todas as formas de colonialismo e de discriminação racial e o respeito pelo direito dos povos à soberania, à independência e a escolherem livremente o seu regime político, económico e social; a inviolabilidade das fronteiras e a integridade territorial dos estados; o respeito pelos direitos do Homem e suas liberdades fundamentais, com a eliminação de todas as formas de fascismo; a coexistência pacífica e a substituição da política de força pelas negociações na resolução dos litígios internacionais; a não ingerência nos assuntos internos de cada Estado; a interdição de todas as armas de destruição generalizada; a cessação da corrida aos armamentos; a abolição das bases militares estrangeiras e o desarmamento geral, controlado e simultâneo.

Estas e outras causas do movimento da paz encontram-se consagradas na Constituição da República Portuguesa, aprovada e promulgada no ia 2 de Abril de 1976, que é desde então um poderoso aliado dos defensores da paz, da cooperação e do progresso social.

Nas últimas quatro décadas, desde a formalização do CPPC, Portugal foi palco de numerosas e pujantes acções em defesa da paz e de solidariedade com os povos, como por exemplo, contra as agressões aos povos do Vietname, de Angola, de Timor-Leste, da Jugoslávia, do Iraque, do Afeganistão, da Líbia ou da Síria; contra a instalação e trânsito de armas nucleares em Portugal; pela dissolução da NATO; e em solidariedade aos povos da África do Sul, da Palestina, do Líbano, do Sara Ocidental, do Chile, do Brasil ou ainda com Cuba, a Nicarágua, a Venezuela, entre muitos outros exemplos.

Pela sua combativa e persistente acção, o CPPC foi galardoado com o título de Mensageiro da Paz das Nações Unidas como reconhecimento pelo papel que desempenhou na difusão dos valores e das causas inerentes ao Ano Internacional da Paz, celebrado em 1986.

O CPPC integra o Secretariado e o Comité Executivo do Conselho Mundial da Paz, organização não-governamental internacional com assento em várias agências especializadas das Nações Unidas.

Fiel à sua história e confiante na justeza dos seus princípios, o CPPC reafirma o seu compromisso de sempre: agir lado a lado com todos quantos, em Portugal e no mundo, intervêm com a aspiração e a convicção de que é possível um mundo justo, democrático, solidário e de Paz.